17 de janeiro de 2015

NÃO ESPERE PELO EPITÁFIO - provocações filosóficas/Mario Sergio Cortella. Vozes. 2013.

Livro lançado em 2005, reeditado em 2013, trás uma seleção de crônicas publicadas pelo autor no jornal Folha de São Paulo, no período de 1994 a 2004. Pensatas (pensata, termo não encontrado nos dicionários da língua portuguesa, trata-se de uma palavra italiana traduzida como pensamento ou ideia e que também é encontrada significando ata, registro do pensamento, documento do pensamento) sobre questionamentos comuns ao ser humano contemporâneo, enriquecidas de sobremaneira através do cabedal cultural do autor. Me atenho a que recebe o título de Inteligência artificial, onde provoca o computador e seu uso, nós dá a dimensão exata da discussão nos cursos de formação de docentes, onde a palavra de ordem é a reinvenção da aula expositiva e o uso do computador na educação: a síndrome da modernidade. Sugere cautela com o que chama de informatolatria asseverando: tecnologia em si mesma não é requisito exclusivo para avaliar e fomentar a qualidade da produção e da vida humana. Enfim, Não espere pelo epitáfio é uma viagem questionadora do ser humano numa plataforma teórica que vai da filosofia, poesia, romance até a música popular brasileira.

22 de dezembro de 2014

A GUERRA DO PODER – 1964: a história real que o Brasil nunca revelou/documentos secretos da Ditadura Militar no Brasil. Rivaldo Chinem. Discovery Publicações. São Paulo. s/D.

Charles Kiefer assevera que é o “título que faz a primeira ponte com o mundo, é o primeiro gancho de interesse, a primeira luz do farol no nevoeiro”. Assim é o livro de Chinem. Oitenta páginas, onde o autor relata historicamente a revolução de 1964 de janeiro a dezembro daquele ano entremeando história - tomando por referência historiadores como Hélio Silva, Thomas Skidmore, Luiz Adolfo Pinheiro, Elio Gaspari, Jorge Caldeira – com fatos e curiosidades com base na obra de Ana Maria Bahiana – Almanaque 1964. Um projeto gráfico interessante, páginas de miolo marcadas com tarja pretas, cores chamativas e modernas muito bem usadas na capa e no seu interior, porém, sem a data de edição e sem apresentação dos ‘documentos secretos’ anunciados no título da obra. Embora não concorde com o autor de que esta seja “a história real que o Brasil nunca revelou”, existem outras obras reveladoras sobre o assunto, é um livro interessante, barato, R$19,90, que merece ser lido. 

26 de agosto de 2014

CONSTRUINDO O PODER POPULAR / Plínio Arruda Sampaio,1930 - São Paulo. Paulus, 2014.

Desde muito cedo Plínio Arruda Sampaio esteve estreitas relações com movimentos hoje denominados Eclesiais de Base e com a esquerda, ou seja, na interpretação de Bobbio, aqueles para os quais "a natureza humana não está definida a priori, não nascemos assim ou assado, mas somos produzidos pelo meio ambiente". Construindo o poder popular vem ao encontro de sua posição ideológica, ao propor um compêndio prático, como diz seu editor - "um instrumento de trabalho" onde apresenta exemplos de como associações ou grupos de pessoas devem proceder diante de uma reclamação ou reivindicação. Em seus capítulos desnudam aspectos básicos do processo: a força para conseguir a vitória, o objetivo da campanha, os adversários, os aliados, o conhecimento do assunto e a divisão de tarefas para se conseguir êxito naquilo que se deseja. Enganam-se aqueles que imaginam que esse livro-manual destina-se, em absoluto, aos movimentos populares. É de uma didática pedagógica universal escrito em linguagem simples e direta.  

13 de agosto de 2014

EDUCAÇÃO, ESCOLA E DOCÊNCIA: novos tempos, novas atitudes/Mario Sergio Cortella. - São Paulo: Cortez, 2014.

Cursos de pós-graduação e Pesquisas têm trabalhado a andragogia, salas de aulas do ensino superior, dinâmicas e processos de aprendizagem, estratégias de ensino e aprendizagem, educação inclusiva, etc. Neste contexto, não se pode desconhecer a quantidade e velocidade com que o conhecimento chega às pessoas. Os tempos mudaram, as gerações mudaram, a tecnologia mudou, aliás, tudo mudou. É ai que começa a discussão. O que é velho e o que é idoso. O que é moderno e o que é novo. O que é novo e o que é inédito. Cortela assim conceitua: Idoso é aquele que tem bastante idade, velho é aquele ou que já está pronto, que acha que não precisa mais aprender, que acha que não conseguirá mais aprender. Idosa é uma pessoa de 60, 70, 80 anos de idade, velho pode ser com 20, 30, 40, ou 60 anos de idade'. Quanto a proposta de um novo modelo educacional para o país alerta para que 'novo' não seja confundido com 'inédito'. E a plataformas existentes jamais acabará com o professor, como a televisão não acabou com o cinema. Será sim, uma ferramenta a mais. Aborda um assunto delicado, que é a questão de estar professor e não ser professor. E aí, faz uma distinção: 'emprego é fonte de renda e trabalho é fonte de vida ... É onde faço algo que me confere uma remuneração. Trabalho é aquilo que eu poderia fazer até de graça, e o faço como sentido da vida. Conceitua docência como um modo de existir ... uma maneira de ser humano ... um chamamento espiritual ... Mais forte do que uma simples vocação, Enfim, um livro que trás questionamentos interessantes, digno do pensador Mario Sergio Cortella.

12 de agosto de 2014

MEIO AMBIENTE & CEMITÉRIOS / Alberto Pacheco. - São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2012.

Noutro dia numa aula de pós mencionei este livro. Não precisa de dizer a reação de meus colegas. Realmente é um tema tabu que às vezes leva ao macabro. Sempre que procuro escrever tenho o cuidado de estudar sobre o assunto que escrevo. Não é nada interessante ficar no senso comum. Principalmente, quando o escrito tem como objetivo uma publicação. Meio Ambiente & cemitérios faz parte de uma coleção 'Série Meio Ambiente" coordenada por José Ávila Aguiar Coimbra, publicada pela Editora Senac São Paulo. Traz informações de interesse a profissionais, estudantes em arquitetura, ecologia, saúde publica, história, dentre outros. Iniciando no período pré-histórico aos dias atuais, o livro faz uma abordagem riquíssima sobre as práticas funerárias, incluso a putrefação dos corpos e seus efeitos para o meio ambiente. Observa a necessidade de se discutir os cemitérios por se tratar de 'um dos elementos indispensáveis a qualquer aglomerado populacional' garantindo a 'decomposição normal do corpo e aspectos respeitantes à utilização e à salubridade.

MEIO AMBIENTE & TEOLOGIA / Alex Villas Boas. - São Paulo: Editora SESC São Paulo, 2012.

Mais um livro pertencente à Coleção Meio Ambiente publicada pelo Sesc, sob a coordenação de José de Ávila Aguiar Coimbra. Mas o quem tem de semelhante entre a Ecologia e a Teologia? A verdadeira aliança da História que persiste acreditar na vida, define o autor. A busca do 'bem viver'. Se a maneira de consumo dos Estados Unidos da América se estendesse ao restante do Planeta, avaliam os ecologistas que teríamos  a necessidade de mais três planetas para acumular o lixo produzido. E então? Ruth Benedict afirma em um de seus livros que 'a cultura é uma lente através da qual o homem vê o mundo'. O sentido da vida é o 'humano do humano'. É desvencilhar-se do que desumaniza. Para ser responsável pela vida, há que ser também responsável pelo Planeta. Chegou-se a um estágio de inteligência analítica (noos) que não mais se questiona o porque viver, mas a razão (Logos) de como viver.  

27 de maio de 2014

ÉTICA E VERGONHA NA CARA / Mário Sérgio Cortella e Clóvis de Barros Filho. – Campinas, SP: Papirus 7 mares, 2014.

No momento em que os poderes constituídos na nação brasileira, executivo, legislativo e judiciário vivem uma crise de credibilidade, onde o foco principal é a corrupção analisada em seus vários matizes, os professores Mário Cortella e Clovis de Barros através de um diálogo fazem uma abordagem sobre o conceito de ética. Definem como ética como a arte do conviver bem para além dos prazeres individuais, justificando que não somos como os animais que possuem uma relação instintiva com a natureza. Enquanto humanos temos a capacidade de considerar o outro levando em consideração nossas escolhas, nossa conduta. Asseveram que a corrupção sempre existiu e sempre existirá, o que temos atualmente é mais denúncia em função do estado democrático e recusa na apuração dos fatos. O mesmo colocam com relação à violência, que consideram bem menor que antanho, o que temos hoje são mais notícias e rejeição a ela no nosso cotidiano. Enfim, um diálogo entre a concretude da ética e a prática da moral