Noutro dia numa aula de pós mencionei este livro. Não precisa de dizer a reação de meus colegas. Realmente é um tema tabu que às vezes leva ao macabro. Sempre que procuro escrever tenho o cuidado de estudar sobre o assunto que escrevo. Não é nada interessante ficar no senso comum. Principalmente, quando o escrito tem como objetivo uma publicação. Meio Ambiente & cemitérios faz parte de uma coleção 'Série Meio Ambiente" coordenada por José Ávila Aguiar Coimbra, publicada pela Editora Senac São Paulo. Traz informações de interesse a profissionais, estudantes em arquitetura, ecologia, saúde publica, história, dentre outros. Iniciando no período pré-histórico aos dias atuais, o livro faz uma abordagem riquíssima sobre as práticas funerárias, incluso a putrefação dos corpos e seus efeitos para o meio ambiente. Observa a necessidade de se discutir os cemitérios por se tratar de 'um dos elementos indispensáveis a qualquer aglomerado populacional' garantindo a 'decomposição normal do corpo e aspectos respeitantes à utilização e à salubridade.
'A História é a majestosa Tôrre da Experiência que o tempo erigiu no espaço infindo dos anos decorridos. Não é fácil tarefa alcançar o cimo desse antigo edifício e gozar da vista dum panorama completo; não há ali elevador, mas os moços tem os pés fortes e podem tentar-lhe a ascensão. Aqui vos dou a chave que vos abrirá a porta. Quando votardes, compreendereis a razão do meu entusiasmo', Hendrick Willem Van Loon.
12 de agosto de 2014
MEIO AMBIENTE & TEOLOGIA / Alex Villas Boas. - São Paulo: Editora SESC São Paulo, 2012.
Mais um livro pertencente à Coleção Meio Ambiente publicada pelo Sesc, sob a coordenação de José de Ávila Aguiar Coimbra. Mas o quem tem de semelhante entre a Ecologia e a Teologia? A verdadeira aliança da História que persiste acreditar na vida, define o autor. A busca do 'bem viver'. Se a maneira de consumo dos Estados Unidos da América se estendesse ao restante do Planeta, avaliam os ecologistas que teríamos a necessidade de mais três planetas para acumular o lixo produzido. E então? Ruth Benedict afirma em um de seus livros que 'a cultura é uma lente através da qual o homem vê o mundo'. O sentido da vida é o 'humano do humano'. É desvencilhar-se do que desumaniza. Para ser responsável pela vida, há que ser também responsável pelo Planeta. Chegou-se a um estágio de inteligência analítica (noos) que não mais se questiona o porque viver, mas a razão (Logos) de como viver.
27 de maio de 2014
ÉTICA E VERGONHA NA CARA / Mário Sérgio Cortella e Clóvis de Barros Filho. – Campinas, SP: Papirus 7 mares, 2014.
No
momento em que os poderes constituídos na nação brasileira, executivo,
legislativo e judiciário vivem uma crise de credibilidade, onde o foco
principal é a corrupção analisada em seus vários matizes, os professores Mário Cortella
e Clovis de Barros através de um diálogo fazem uma abordagem sobre o conceito
de ética. Definem como ética como a arte do conviver bem para além dos prazeres
individuais, justificando que não somos como os animais que possuem uma relação
instintiva com a natureza. Enquanto humanos temos a capacidade de considerar o
outro levando em consideração nossas escolhas, nossa conduta. Asseveram que a
corrupção sempre existiu e sempre existirá, o que temos atualmente é mais
denúncia em função do estado democrático e recusa na apuração dos fatos. O mesmo
colocam com relação à violência, que consideram bem menor que antanho, o que
temos hoje são mais notícias e rejeição a ela no nosso cotidiano. Enfim, um
diálogo entre a concretude da ética e a prática da moral
14 de março de 2014
OS BEN$ QUE OS POLÍTICOS FAZEM: história de quem enriqueceu durante o exercício dos mandatos / Chico de Gois – Rio de Janeiro: LeYa, 2013.
O escritor, por
motivos óbvios, evitar uma coletânea de volumes, elegeu alguns parlamentares municipais, estaduais e federais
para retratá-los. Ante de terminar a leitura de suas 282 páginas, me veio à
cabeça uma utopia: se o cidadão brasileiro trabalha cinco meses no ano para
pagar impostos, porque não uma trégua em relação à corrupção publica e privada ou
publico/privada no Brasil em igual período de tempo? Certamente, seríamos a
nação mais rica do mundo! Aquela que realmente poderia afirmar ser Deus de
nacionalidade brasileira. Não se trata de absorver o que se encontra no
imaginário popular de que todo político é ladrão, ou de aquiescer o rouba, mas
faz. É ter consciência de que a corrupção existe e sempre existirá como sempre
existiu. Mas, as recentes publicações sobre esse tema no Brasil através do
jornalismo investigativo mostra uma realidade inacreditável, sem limites. Embasado
em obras clássicas como ‘A arte de Furtar’ atribuída ao padre Antonio Vieira, ‘Os
donos do poder’ de Raymundo Faoro, ‘Coronelismo, Enxada e Voto’, de Victor
Nunes Leal, ‘Cidadania no Brasil – o longo caminho’, de José Murilo de Carvalho
e, ‘Os contos e os vigários – uma história da trapaça no Brasil’, de José
Augusto Dias Junior, Chico de Gois faz uma análise de que no Brasil o
patrimonialismo é uma marca de nascença, Sérgio Buarque de Holanda trata desse
assunto em ‘O homem Cordial’. ‘Dirigentes tratam o governo como algo
que lhes pertence e que existe, antes de tudo, para o seu próprio usufruto’.
São 10 narrativas como parlamentares aumentaram ‘milagrosamente’ ou ‘competentemente’
seus patrimônios durante seus mandatos. Uma pequena amostragem. Ressalta não
tratar-se de regra geral, claro! Existem as exceções.
Luiz Humberto Carrião
(l.carriao@bol.com.br)
12 de março de 2014
SIMÓN BOLÍVAR por Karl Marx / tradutora Vera Ribeiro. – São Paulo: Martins, 2008.
Marx foi contratado em 1857 por
Charles Dana, diretor do New York Daily Tribune, para escrever sobre temas de
história militar, biografias e outros assuntos váriados na New American
Cyclopaedia, onde coube a redigir o verbete sobre Simón Bolívar. O livro é
aberto por uma introdução – O Bolívar de Marx – de autoria de José Aricó, intelectual
marxista argentino, seguido do texto de Marx - Bolívar y Ponte – e, finalmente,
o Epílogo assinado por Marcos Roitman Rosenmann e Sara Martinez Cuadrado,
professores da Faculdade de Ciências Políticas e Sociologia da Universidade Complutense,
de Madri. Dialogar sobre um mito, discutir um mito é algo plenamente aceitável,
porém, contestar o mito já não é bem assim. O trabalho de Marx neste verbete
foi encontrado por Aníbal Ponce, nos arquivos de Marx-Engels-Lenin, de Moscou,
numa tarde de fevereiro de 1935. Fazendo a leitura de que a história de Bolívar
encontra ‘envolta numa espessa nuvem de lendas’, e suas ideias
hispano-americanas ‘de criar uma federação com todos os povos da cultura
espanhola’ fez escola, resolveu trazê-lo ao público latino. Para uns, ‘uma
avaliação política induziu Marx a interpretar Bolívar como autoritário e
bonapartista, e a projetar sua hostilidade política, como costumava a fazer, no
conjunto das atividades e até na própria personalidade do Libertador, a quem
ele zombou encarniçadamente ao longo de seu extenso ensaio’. Para outros, Marx
visualizou que naquele processo histórico, que ‘a ordem imposta pela vontade de
Deus não pode ser alterada pela vontade dos homens. Com esses postulados,
Bolívar restabeleceu a escravidão e procedeu à expulsão dos povos indígenas das
terras comunais. A propriedade latifundiária consolidou-se e os povos indígenas
foram despojados de suas terras. Com todos esses antecedentes, poderia Marx ter
outra imagem do Ditador Supremo?’ Marx apresenta uma biografia de Bolívar bem
diferente daquela que o transformou em mito pela historiografia latino-americana.
Um texto de fôlego que precisa ser conhecido e discutido por cientistas sociais
e historiadores.
Luiz Humberto Carrião
(l.carriao@bol.com.br)
22 de janeiro de 2014
IDEIAS E PRÁTICAS FASCISTAS NO BRASIL / (org) Natália dos Reis Cruz. – Rio de Janeiro: Gramond, 2012.
Fascismos, modernidade e ‘pós-modernidade.
A tentação conservadora / Gisele dos Reis Cruz e Jerônimo Marques de Jesus
Filho.
A Ação Integralista Brasileira
(AIB). Nacionalismo, Antissemitismo e Fascismo / Natália dos Reis Cruz.
Nem só mãe, esposa e professora:
os múltiplos campos de atuação da mulher militante integralista / Leandro
Pereira Gonçalves e Renata Duarte Simões.
Fascismo, Antifascismo e os Italianos
no Brasil entre as duas Guerras Mundiais / João Fábio Bertonha.
Imagens a serviço da propaganda
política da Ação Integralista Brasileira / Tatiana da Silva Bulhões.
O Nazismo no Brasil: uma breve leitura
sobre a organização e a estrutura do partido / Nara Maria Carlos de Santana.
O Integralismo e a contrarreforma
moral e intelectual nos anos 1950 / Gilberto Calil.
Pensamentos integralistas:
aportes e suportes para um movimento de direita / Maria Regina da Silva Ramos
Carneiro.
O neonazismo no Brasil. O caso da
Editora Revisão. Natália dos Reis Cruz.
No prefácio Márcia Maria Mendes
Motta – pesquisadora do CNPq e professora de História Moderna e Contemporânea
da Universidade Federal Fluminense define: ‘ao reunir, neste livro, os estudos
de uma nova geração de historiadores dedicados a analisar o fenômeno da
intolerância expresso no movimento fascista no Brasil, Natália Reis organiza
uma obra que vai na contracorrente dessa nossa memória apaziguadora, que nos
engana, que nos coloca sem culpa, mas – exatamente por isso – nos cega e não
nos permite ver como somos um país cuja história foi também construída no embate
entre forças sociais desiguais, visões distintas sobre as potencialidades dos
seres humanos e concepções diversas sobre o direito dos outros. Em outras
palavras, ao analisarem o passado e o presente de nossas experiências autoritárias
de tipo fascistas, os textos reunidos neste livro nos convidam a pensar sobre
um passado e um presente que não nos incomodam, pois são frequentemente
sublimados e mesmo esquecidos pela força de nossa memória nacional apaziguadora’.
A Revolução de 1930 trouxe em sua
algibeira o rompimento com uma prática política sustentada pelas oligarquias
rurais brasileiras, prática está já contestada pela classe média através de um
movimento significativo que foi o Tenentismo e culturalmente, a contestação
veio através da Semana de Arte Moderna de 22. Desses dois movimentos emergiram
duas lideranças: uma do exército brasileiro, Luiz Carlos Prestes, com a Aliança Libertadora Nacional Libertadora (ALN), de orientação moscovita e, de outro, Plínio Salgado,
intelectual destacado na Semana de 1922 com a Ação Integralista Brasileira (AIB).
Aos pesquisadores a busca
das ‘motivações e argumentos’ que levaram 1 milhão de pessoas, num universo de
40 milhões de habitantes, em 1930, a aderirem às ideias do Movimento
Integralista no Brasil. Também, uma foto publicada em ‘A Offensiva’, onde uma
mulher (Blusa-verde) de cor negra é documentada fotograficamente discursando
para homens num encontro integralista em 13 de julho de 1937.
Historicamente, tudo isso é muito
recente para ser ‘esquecido’ pela historiografia brasileira.
Luiz Humberto Carrião
(l.carriao@bol.com.br)
13 de dezembro de 2013
ESQUERDA CAVIAR – A hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no Mundo - Rodrigo Constantino. – 1ª ed. – Rio de Janeiro: Record. 2013.
Rodrigo Constantino é presidente
do instituto Liberal. Formado em Economia pela PUC-Rio, tem MBA de finanças
pelo IBMEC e trabalhou no setor financeiro de 1997 – 2013. É autor de sete
livros: Prisioneiros da liberdade, Estrela cadente, As contradições e
trapalhadas do PT, Egoísmo racional, O individualismo de Ayn Rand, Uma luz na
escuridão, Economia do indivíduo e Privatiza já. Foi colunista da revista Voto,
do jornal Valor Econômico e do site Ordem Livre por vários anos. É colaborador
quinzenal do jornal O Globo e mantém um blog na Veja. É membro fundador do
Instituto Millenium e foi o vencedor do Prêmio Libertas em 2009, no XXII Fórum
da Liberdade.
Uma questão difícil para os
escritores é a dos títulos de suas obras. É a primeira ponte entre o obra e o leitor. Diria sê-lo aquele ‘tchan’ que desperta de cara o interesse.
Esquerda Caviar – deixa uma pergunta: o texto acompanhou o título, ou o título
acompanhou o texto? Isso pouco importa diriam uns, importa sim, diriam outros.
Mas ninguém poderá ao terminá-lo, em sua leitura de 432 páginas, de não admitir
que se trate de excelente título ao texto que o segue.
Não existe uma consciência entre o público e o privado no Brasil. Um dos construtores de nossa historiografia, Sérgio Buarque de Holanda, trata desse assunto na década de 1930, do século passado, em ‘O homem cordial’. No contexto da corrupção que deu origem a Ação Penal 470 (Mensalão) o operador do sistema, Marcos Valério, acusa uma dupla sertaneja que fez ‘showmício’ na campanha do PT a presidência de receber pagamentos milionários do partido no exterior. Outro cantor sertanejo conseguiu junto ao Ministério da Cultura autorização para captar 3 milhões de reais com benefícios fiscais para uma turnê comemorativa dos 30 anos de carreira através da Lei Rouanet. Outra cantora teve a mesma autorização para captar 1 milhão de reais para a edição de um blog. Uma casa noturna paulistana utilizando-se a mesma Lei e com autorização do MinC para a criação de um ‘painel artístico de difusão cultural nos segmentos da música, dança e artes cênicas dentro e fora do espaço físico’ a importância de 5 milhões e 700 mil reais. O mesmo ministério aprovou a captação de 2 milhões e 800 mil reais para um desfile de moda em Paris. O autor assevera que ‘a simbiose entre artistas e governo representa uma oportunidade de ouro para muitos’. Como poderão ser críticos do governo? E isso tem seu efeito cascata. Exemplo os 650 mil reais recebidos por uma cantora para a inauguração de um hospital público numa cidade do sertão mesmo antes do mesmo ser concluído. E o qual partido pertencia o então governador. Diz o autor que o livro é uma crítica àqueles que adoram defender Cuba de um luxuoso apartamento em Paris, França. Trata-se de um resgate da chamada ‘esquerda festiva’, no Brasil, nos anos 70 em diante, do século passado. O que o francês chama de ‘radical chique’ e o americano de ‘liberal limusine’. Uma crítica aos intelectuais, jornalistas, artistas e políticos que, sob as benesses do conforto capitalista, apresentam à sociedade um discurso hipócrita e demagógico.
O autor é bastante ácido com
aqueles que vivem ‘burguesamente’ bem e se propõe a uma pregação coletivista da
sociedade como solução para o fim das injustiças sociais. Esta é a chamada Esquerda
Caviar : “O sujeito vive bem, tem um carro novo, mora em uma casa legal,
percebe a futilidade exacerbada de sua mãe rica, preocupada com a nova bolsa
Louis Vitton de US3 mil que sujou um pouco, e vê nas ruas miséria, crianças
abandonadas, desgraça atrás de desgraça. Sem compreender muito bem as teorias
econômicas, as causas da riqueza, ele desenvolve certa raiva do capitalismo e
logo abraça slogans populistas, receitas mágicas, pedindo a intervenção desse
ente abstrato que parece um messias salvador: o estado”. Também faz suas
incursões no exterior. “Podemos pensar em Deepak Chopra, que chegou a vender um
combo que misturava saúde, riqueza e espiritualidade, conquistando
pesos-pesados como Demi Moore, Cindy Crawford, Michael Jackson, Steven Seagal e
Madona. Quem pode levar a sério a um sujeito que tem um livro chamado As 7 leis espirituais dos super-heróis e
outro intitulado Supercérebro: como
expandir o poder transformador de sua mente?”
Ao adjetivar a palavra ‘esquerda’
o autor diferencia o que é comumente entendido pela essência Marxista do que os homens
fizeram a partir de um matiz, as ideias de Marx, que na visão de Jacques Atali, 'a parte alguns fundadores de religiões, nenhum homem exerceu no mundo uma
influência comprovável a que Marx exerceu no século XX’. Só que suas ideias
foram objetos de deferentes interpretações e apropriações de maneira tal, que o
próprio Marx ao se deparar com essas interpretações e apropriações se disse não
marxista. Muito bem coloca sobre esta questão Francisco Buey: ‘ deve-se
distinguir o que Marx fez e disse como comunista e o que os outros disseram e
fizeram ao longo do tempo em seu nome’. A História de todas as sociedades –
inclusive a levada a efeito no livro, que defende o individualismo em detrimento do coletivismo – tem sido a história da
luta de classes. Basta tomar às mãos um compêndio de história e ler sobre o seu nascedouro. Li algures que ‘é importante frisar que Marx utiliza comumente
o termo ideologia com uma conotação pejorativa. O que existe hoje é o
falseamento da realidade, a inclinação dos criadores diante de
suas criações, ilusões próprias de todas ideologias que se pretendem universais, mas, que, na realidade representam os interesses particulares de classes sociais, no caso do liberalismo, a burguesia. Marx afirmou que ‘com a transformação da base econômica toda, a
enorme superestrutura se transforma com maior ou menor rapidez. Na consideração
de tais transformações é necessário distinguir sempre entre a transformação
material das condições econômicas de produção que pode ser objeto de rigorosa
verificação da ciência natural, e as formas jurídicas, políticas, religiosas,
artísticas ou filosóficas. Resumo: as formas ideológicas pelas quais os homens
tomam consciência desse conflito e conduzem até o fim. Assim como não se julga
o que um indivíduo é a partir do julgamento do que ele faz de si mesmo, da
mesma maneira, não se pode julgar uma época de transformação a partir de sua
própria consciência, ao contrário, é preciso explicar esta consciência e partir
das contradições da vida material, a partir do conflito existente entre as
forças produtivas, sociais e a relação de produção’.
Uma pergunta que não quer calar:
a ‘burguesia caviar’ objeto de crítica do autor serve a quem? Um professor meu de
Produção Historiográfica Mundial definiu escrevendo: ‘Com o desenvolvimento das
sociedades capitalistas modernas, ocorreu um aprofundamento sem precedentes da
divisão social do trabalho que encontra seu ápice na cisão entre o trabalho
intelectual e trabalho manual. A tarefa de produzir conhecimento, o ato de
pensar passou a ser ‘função privilegiada’ de um segmento da elite, enquanto o
trabalho manual assumiu nitidamente uma conotação de inferioridade em relação à
produção intelectual’, daí segundo Buey, ‘surgirem as ideologias profissionais.
A ideologia se torna explícita e consciente. E, assim, também se particulariza
o sentido concreto em que nessas sociedades as ideologias representam as
ilusões que a classe hegemônica faz de si mesma e do seu papel no mundo’. Freud explica!
Luiz Humberto Carrião (l.carriao@bol.com.br)
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